Por: Juan Sousa
Sempre fui um entusiasta por aventuras. Um apaixonado por
adrenalina. Desde pequeno vislumbrei as estrelas. Sonhava em ser astronauta,
viajar pelo espaço... Mas nunca tive oportunidade de estudar para me tornar um.
Cresci e mudei minha visão sobre isso tudo, junto com o mundo a
minha volta que também mudou. Ser um astronauta já não era mais as mil
maravilhas. Com a expansão dos seres humanos pelo sistema solar as coisas
ficaram diferentes. Oportunidades fora da Terra eram apenas para trabalhar com
mineração em alguns planetas, como Marte e Vênus, e algumas luas de Júpiter.
As oportunidades para pilotos eram poucas. Todos os pilotos
vinham da escola de pilotagem localizada na Lua, que era financiada pelos mais
ricos do sistema solar. Ou seja, apenas os “filhinhos de papai” conseguiam
estudar por lá. Além do mais, estava ficando velho para essas coisas.
Eu era dono de uma loja de artigos eletrônicos. Vendia desde
relógio-hologramas a mini robôs. Conseguia tirar uma grana até legal. Dava pra
curtir com os amigos no fim de semana, sair com algumas garotas interessantes e
pagar o financiamento da minha casa.
Até que um dia descobrimos finalmente que não estávamos sozinhos
no sistema solar. Dali pra frente tudo mudou. Lembro como se fosse ontem o anúncio
feito ao povo da Terra:
“Povo terráqueo, venho por
meio desse pronunciamento anunciar que não estamos mais sozinhos no sistema
solar...” Era a voz do “Imperador”, como era
chamado o representante do governo do sistema solar. – “Nossa base na lua de Saturno, Titã, foi atacada por naves
desconhecidas e jamais vistas no sistema solar. Repito, naves que não pertencem
a nenhum governo no sistema solar e difere de qualquer design conhecido por
nós. Fiquem atentos a novas informações e protejam-se.”
Á princípio poderíamos pensar: “Pode ser algum terrorista atacando essa base, ou algum grupo
revolucionário, máfia, ou coisas desse tipo”. Mas não era. Dois dias depois
houve outro ataque em uma das luas de Júpiter e nesse mesmo dia os sensores detectaram
quase 10 naves do tamanho da nossa Lua cercando o sistema solar.
Recrutaram todos os homens saudáveis para ajudar nessa possível
“guerra” que estaria por vir. Eu fui um deles. Me apresentei ao governo e fui
enviado para um centro de treinamento na Rússia, em uma base gélida, onde
exploraram todas as nossas resistências.
Após um árduo treinamento nos colocaram em naves e nos enviaram
para a base da Lua, para nos adaptarmos à baixa gravidade nos planetas e outras
luas. O treinamento era árduo, e apesar de precisarem de recrutas o governo não
se limitava a rejeitar algumas pessoas e mandar de volta para a Terra. Uma
guerra no espaço não é como uma guerra em terra firme. Ninguém quer alguém que
não sabe atirar com uma arma dentro de uma nave em voo no espaço.
Eu tive facilidade para me adaptar ao treinamento, visto que eu
já tinha uma certa experiência com armas pela quantidade enorme de jogos com
realidade aumentada que eu joguei durante minha vida como vendedor de
eletrônicos. Era aficionado pela segunda guerra mundial e gostava muito de
reviver a batalha de Stalingrado e fuzilar os nazis filhos da puta. Com os
desgraçados do espaço não seria diferente.
Ao decorrer do nosso treinamento sempre ficávamos sabendo sobre
as notícias dos ataques. Depois de 5 ataques em menos de 1 mês comprovaram que
as naves realmente não eram dos sistema solar, depois de derrubar uma delas em
uma das luas de Saturno.
Encontraram os E.T.’s dentro da nave e aprisionaram alguns.
Infelizmente não se entendia a língua deles. Era algo muito estranho, pelo que
se comentava entre os recrutas. Parecia mais um grunhido. Alguns teorizavam que
eles estavam apenas fingindo que não falavam nossa língua para “esconder o
jogo”.
Também se comentava sobre aparência deles. Eram bípedes como nós,
tinham praticamente a mesma altura, porém os braços eram um pouco mais longos e
andavam curvados. Tinham a pele enrugada, com veias um pouco para fora – o que
facilitou os exames de sangue que fizeram nos bichos –, não tinham nariz e os
seus olhos saíam um pouco para fora, o que diziam ser meio macabro. E ainda
tinham um gosto esquisitos pelas vestimentas. Parecia uma mistura de chineses
com havaianos.
Enfim, eu não ligava muito pra isso. Estava louco para cravejar
minha munição toda no peito dos desgraçados. Fazer meu nome na história e, se
tivesse oportunidade, aprender a pilotar naves espaciais.
Após capturarem essa nave os ataques inimigos cessaram. À
princípio não se entendeu o porquê. Supuseram que seria algum tipo de
estratégia inimiga. E para se precaverem enviaram o primeiro ataque de seres
humanos aos extraterrestres – se bem que nem sei se podiam chamar assim, visto
que hoje em dia muitos humanos nasciam fora da Terra.
Enviaram um míssil nuclear em direção a uma das 10 naves
maiores, saindo da maior lua de Júpiter, Ganímedes, onde tínhamos a maior base
militar fora da Terra. O míssil atingiu a nave e explodiu de uma forma tão
tenebrosa que assustou a todos. O raio de explosão chegou a aproximadamente
100km. O que seria muito maior do que o impacto da Tsar Bomb, detonada durante
a guerra fria, e era o maior teste nuclear com uma bomba já feita na história,
até àquele momento.
Acompanhamos a explosão por telas enormes no centro de
treinamento. Foi transmitido para todos os canais de comunicação do sistema
solar. Naquele momento se iniciava a primeira guerra nas estrelas da história
da humanidade. Em menos de um mês descobrimos que não estávamos sozinhos no
universo e entramos em guerra com o primeiro vizinho que encontramos. E eu, que
estava puto com os desgraçados por terem nos atacados sem motivo algum, estava
pronto para extinguir esses seres do universo.
{Dom
Juan}