março 19, 2023

O culto ao deus Jaguar

 



A porta de madeira abriu e todos olharam. A curiosidade sempre bate nesses momentos. As pessoas de dentro do bar viram entrar um homem alto, usando um casaco preto e um chapéu. Tinha uma barba rala, cabelos pretos e um olhar de cansaço. Ele sentou-se numa cadeira do balcão e pediu um whisky sem gelo. A garçonete serviu para ele.

            – Você é novo por aqui, não é? – Perguntou a garçonete.

            – Estou de passagem. – Respondeu o homem, colocando o whisky na garganta.

            O bar era modesto. Tinha seis mesas e um balcão pequeno. Era iluminado por lamparinas feitas com vagalumes. A iluminação fraca somadas com simbologias e totens da cultura nativa deixava o ambiente um pouco macabro. E ao fundo tinha uma janela circular grande de onde dava pra observar o mar.

            Um homem corpulento que estava em uma das mesas levantou e foi até o balcão.

            – Me passe a conta por favor. – Disse o homem corpulento para a garçonete. – Posso saber o que faz por aqui, cidadão? Não o conheço.

            – Estou apenas de passagem. Tenho um trabalho em uma cidade próxima. – Disse o homem, tirando o chapéu e dando uma olhada para o corpulento. Ele era grande como uma porta.

            – Já soube dos desaparecimentos? – Perguntou o homem corpulento.

            – Não. Não soube. Cheguei a pouco na cidade. Está havendo desaparecimentos por aqui? – Seu whisky acabou e ele pediu mais um copo.

            – Nas últimas quatro semanas oito moças desapareceram sem deixar rastros. A última moça a desaparecer estava voltando da casa do noivo para a casa dos pais, mas não chegou a completar o trajeto. – Fez uma pausa enquanto pagava a conta à moça do bar. – Não ouviu mesmo falar sobre isso cidadão?

            – Sinto muito pelo ocorrido amigo, mas eu cheguei na cidade hoje. É a primeira vez que ouço falarem nisso. – Colocou todo o whisky restante pra dentro.

            – Posso saber seu nome, camarada? – O homem corpulento nesse momento se virou para o outro e o indagou.

            – Pode me chamar de Giorgio. Muito prazer. – Giorgio então estendeu a mão ao homem corpulento. – E qual o seu?

            – Trovão é como me chamam por aqui. – Apertou a mão de Giorgio. – Se precisar de uma mãozinha pode sempre contar comigo.

            Giorgio sorriu, colocou o chapéu na cabeça, acenou para Trovão e saiu do bar. Estava chovendo naquele momento. Antes de partir na chuva ele puxou um cigarro, acendeu e deu algumas tragadas observando a cidade a sua volta.

            – A noite sempre nos reserva grandes surpresas. – Comentou para si mesmo. Jogou o cigarro no chão, pisou em cima e partiu.





#conto #asteca #investigação #detetive


Se quiser continuar lendo sobre a aventura de Giorgio, siga o link para o wattpad. Os 2 primeiros capítulos já foram publicados e os demais sairão nas próximas semanas. Boa leitura!

Link: O culto ao deus Jaguar - Juan Sousa - Wattpad










março 18, 2023

E nem

“Organizei a memória em alfabetos”
Eu desorganizei a minha da mesma forma.
Pensando que a memória se torna
Um objeto pessoal do desafeto.

[Dom Juan]

março 05, 2023

O sétimo filho do sétimo filho

Nem me lembro quanto tempo
Passei sentado na cadeira
Estava bem perto da lareira
A sala estava fria
Mas o calor do fogo
Me livrou de uma hipotermia
 
Observei a minha volta
E a sala estava vazia
Mas em um canto dela
Um corpo jazia
 
Chamei-o pelo nome
Parecia com José, meu tio
Ele não me respondia
E deitado no chão
Nenhum movimento fazia
 
Me desatei das amarras
Que me prendiam na cadeira
E observei pela janela
Era dia de lua cheia
 
Meu tio José foi o primeiro filho
O mais velho entre todos
Já Luiz era o caçula
E era cheio de engodo
 
Plantou José, meu tio
Para chamar minha atenção
Mas no lugar de José
Outro homem estava no chão
 
Era mais um de seus engodos
O que ele realmente queria
Era que eu chegasse mais próximo
Do sofrimento de minha tia
Que foi morta pelo seu marido
Uns anos atrás, eu sabia
 
O sétimo filho do sétimo filho se transformou
E apareceu como um vulto na porta
Eu peguei logo as minhas botas
E pulei pela janela
 
O lobisomem me seguiu
Era demasiado veloz
Pois usava quatro patas
E tinha uma sede atroz
 
Logo me acompanhou
E abocanhou meu pescoço
Rezei para que Deus tirasse
A maldição desse pobre corpo
Que destruiu sua própria família
E não demonstrou nenhum remorso
 
A maldição do sétimo filho
Segue sem solução
E eu observo agora
O meu tio abocanhando
Meu corpo deitado no chão.


[Dom Juan]

Devaneios

O teto solar se abre. Daqui de baixo as estrelas São tão pequenas quanto nossa esperança, De que esse mundo aqui embaixo Algum dia t...