abril 25, 2022

O dia mais sombrio da humanidade

Por: Juan Sousa

Sempre fui um entusiasta por aventuras. Um apaixonado por adrenalina. Desde pequeno vislumbrei as estrelas. Sonhava em ser astronauta, viajar pelo espaço... Mas nunca tive oportunidade de estudar para me tornar um.

Cresci e mudei minha visão sobre isso tudo, junto com o mundo a minha volta que também mudou. Ser um astronauta já não era mais as mil maravilhas. Com a expansão dos seres humanos pelo sistema solar as coisas ficaram diferentes. Oportunidades fora da Terra eram apenas para trabalhar com mineração em alguns planetas, como Marte e Vênus, e algumas luas de Júpiter.

As oportunidades para pilotos eram poucas. Todos os pilotos vinham da escola de pilotagem localizada na Lua, que era financiada pelos mais ricos do sistema solar. Ou seja, apenas os “filhinhos de papai” conseguiam estudar por lá. Além do mais, estava ficando velho para essas coisas.

Eu era dono de uma loja de artigos eletrônicos. Vendia desde relógio-hologramas a mini robôs. Conseguia tirar uma grana até legal. Dava pra curtir com os amigos no fim de semana, sair com algumas garotas interessantes e pagar o financiamento da minha casa.

Até que um dia descobrimos finalmente que não estávamos sozinhos no sistema solar. Dali pra frente tudo mudou. Lembro como se fosse ontem o anúncio feito ao povo da Terra:

“Povo terráqueo, venho por meio desse pronunciamento anunciar que não estamos mais sozinhos no sistema solar...” Era a voz do “Imperador”, como era chamado o representante do governo do sistema solar. – “Nossa base na lua de Saturno, Titã, foi atacada por naves desconhecidas e jamais vistas no sistema solar. Repito, naves que não pertencem a nenhum governo no sistema solar e difere de qualquer design conhecido por nós. Fiquem atentos a novas informações e protejam-se.”

Á princípio poderíamos pensar: “Pode ser algum terrorista atacando essa base, ou algum grupo revolucionário, máfia, ou coisas desse tipo”. Mas não era. Dois dias depois houve outro ataque em uma das luas de Júpiter e nesse mesmo dia os sensores detectaram quase 10 naves do tamanho da nossa Lua cercando o sistema solar.

Recrutaram todos os homens saudáveis para ajudar nessa possível “guerra” que estaria por vir. Eu fui um deles. Me apresentei ao governo e fui enviado para um centro de treinamento na Rússia, em uma base gélida, onde exploraram todas as nossas resistências.

Após um árduo treinamento nos colocaram em naves e nos enviaram para a base da Lua, para nos adaptarmos à baixa gravidade nos planetas e outras luas. O treinamento era árduo, e apesar de precisarem de recrutas o governo não se limitava a rejeitar algumas pessoas e mandar de volta para a Terra. Uma guerra no espaço não é como uma guerra em terra firme. Ninguém quer alguém que não sabe atirar com uma arma dentro de uma nave em voo no espaço.

Eu tive facilidade para me adaptar ao treinamento, visto que eu já tinha uma certa experiência com armas pela quantidade enorme de jogos com realidade aumentada que eu joguei durante minha vida como vendedor de eletrônicos. Era aficionado pela segunda guerra mundial e gostava muito de reviver a batalha de Stalingrado e fuzilar os nazis filhos da puta. Com os desgraçados do espaço não seria diferente.

Ao decorrer do nosso treinamento sempre ficávamos sabendo sobre as notícias dos ataques. Depois de 5 ataques em menos de 1 mês comprovaram que as naves realmente não eram dos sistema solar, depois de derrubar uma delas em uma das luas de Saturno.

Encontraram os E.T.’s dentro da nave e aprisionaram alguns. Infelizmente não se entendia a língua deles. Era algo muito estranho, pelo que se comentava entre os recrutas. Parecia mais um grunhido. Alguns teorizavam que eles estavam apenas fingindo que não falavam nossa língua para “esconder o jogo”.

Também se comentava sobre aparência deles. Eram bípedes como nós, tinham praticamente a mesma altura, porém os braços eram um pouco mais longos e andavam curvados. Tinham a pele enrugada, com veias um pouco para fora – o que facilitou os exames de sangue que fizeram nos bichos –, não tinham nariz e os seus olhos saíam um pouco para fora, o que diziam ser meio macabro. E ainda tinham um gosto esquisitos pelas vestimentas. Parecia uma mistura de chineses com havaianos.

Enfim, eu não ligava muito pra isso. Estava louco para cravejar minha munição toda no peito dos desgraçados. Fazer meu nome na história e, se tivesse oportunidade, aprender a pilotar naves espaciais.

Após capturarem essa nave os ataques inimigos cessaram. À princípio não se entendeu o porquê. Supuseram que seria algum tipo de estratégia inimiga. E para se precaverem enviaram o primeiro ataque de seres humanos aos extraterrestres – se bem que nem sei se podiam chamar assim, visto que hoje em dia muitos humanos nasciam fora da Terra.

Enviaram um míssil nuclear em direção a uma das 10 naves maiores, saindo da maior lua de Júpiter, Ganímedes, onde tínhamos a maior base militar fora da Terra. O míssil atingiu a nave e explodiu de uma forma tão tenebrosa que assustou a todos. O raio de explosão chegou a aproximadamente 100km. O que seria muito maior do que o impacto da Tsar Bomb, detonada durante a guerra fria, e era o maior teste nuclear com uma bomba já feita na história, até àquele momento.

Acompanhamos a explosão por telas enormes no centro de treinamento. Foi transmitido para todos os canais de comunicação do sistema solar. Naquele momento se iniciava a primeira guerra nas estrelas da história da humanidade. Em menos de um mês descobrimos que não estávamos sozinhos no universo e entramos em guerra com o primeiro vizinho que encontramos. E eu, que estava puto com os desgraçados por terem nos atacados sem motivo algum, estava pronto para extinguir esses seres do universo.

 

 

{Dom Juan}

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